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15 de jul. de 2026

Frankenstein de Mary Shelley | RESENHA

 

Seria Victor Frankenstein o primeiro pai ausente da literatura?


O clássico do horror gótico, Frankenstein de Mary Shelley, conta a história de Victor Frankenstein, um cientista promissor, que tinha muita curiosidade em relação à vida e à morte.


Lançado em 1818, o livro é usado como referência em várias obras do terror literário e audiovisual até hoje. 


Livro Frankenstein

 

Victor Frankenstein, movido por uma ambição científica sem limites, deu a vida a uma criatura sem sequer imaginar a dimensão de sua inteligência e de sua capacidade de sentir. E dominado pelo medo e, principalmente, pelo egoísmo, abandona sua obra à própria sorte.

Sozinha, a criatura desenvolve sua própria consciência, aprende a sobreviver e descobre, por conta própria, o que era o amor, a rejeição e o desejo de pertencer. No entanto, por causa da aparência desumana que lhe foi imposta pelo próprio criador, encontra apenas medo, violência e solidão.

Ainda assim, a criatura esperava encontrar empatia em Victor, lhe pedindo uma companheira, uma criatura feminina horrenda como ele, pois assim, não seria abandonado.

E é justamente aí que está a maior tragédia da história. Victor era admirado por todos: amado pela família, cercado de amigos, rico e extremamente instruído. Mas lhe faltava aquilo que realmente importava: compaixão. Acostumado a viver em uma realidade confortável, onde tudo era belo e previsível, foi incapaz de lidar com aquilo que considerava feio, diferente e incompreensível. 

Diante daquilo que ele mesmo criou, sua única reação foi fugir, abandonar e negar qualquer responsabilidade, mesmo ouvindo os apelos desesperados de sua criatura.

Minha opinião

Para o filósofo Rousseau, “o homem não nasce mau, torna-se mau de acordo com o meio que vive”. Já Augusto Cury, escreveu que “O homem não nasce nem bom nem mau, nasce neutro. E o ambiente social, liberta sua mente ou a aprisiona ” Em Frankenstein, essas idéias fizeram muito sentido para mim.

Ao longo da leitura, senti muitas emoções. Desde as primeiras páginas, senti amor e afeto pela família Frankenstein, mas também uma profunda tristeza pela criatura. Senti pena dela em diversos momentos. Curiosamente, não consegui sentir a mesma compaixão por Frankenstein.

É claro que ele sofreu com as mortes causadas pela criatura, mas, para mim, ele apenas colheu as consequências do egoísmo, da irresponsabilidade e do preconceito que cultivou desde o momento em que decidiu rejeitar sua própria criação.

No fim, o cientista foi inteligente o suficiente para criar a vida, mas não para assumir a responsabilidade por ela. Criou um ser capaz de pensar, sentir e amar, mas nunca foi capaz de enxergá-lo como digno de afeto.

O que mais me marcou foi o desfecho. Victor morreu sendo lembrado como um homem nobre e admirável. Já a criatura continuou sendo vista apenas como um monstro. 

No entanto, para mim, o verdadeiro monstro nunca foi aquele de aparência grotesca, mas a ausência de empatia. A criatura foi vítima da rejeição da sociedade, do abandono de seu criador e da solidão. 

Talvez ela nunca tenha nascido um monstro. Tornou-se um. 

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Onde assistir: Netflix





















E aí, o que você acha? Deixa nos comentários quem você acha que foi o verdadeiro monstro dessa história. Eu quero muito saber a opinião de vocês!