Vou contar um pequeno resumo sobre minha transição capilar.
     
       Quem nunca odiou seu cabelo cacheado, nem que seja uma vez na vida, não é mesmo?
E por anos eu tentei ser o que não sou.
Quando minha mãe cuidava do meu cabelo, ele era tão lindo que as pessoas se perguntavam se era de plástico, de tão perfeito.
Quando eu completei meus 8 anos de idade, minha mãe já achou que eu era uma  mocinha,e que deveria cuidar da minha própria aparência, ou seja, a parti daquele momento eu iria ter que dar meus pulos, para pelo menos ser apresentável .
No 5 ano a maioria das minhas amigas tinham o cabelo liso, as que não tinham, resolviam chapar. Mais tarde, a moda da franja ressurge, e para a minha infelicidade, mais uma vez não poderia fazer parte, Por quê? Bom, vocês já sabem que franjinha cacheada não é muito normal hahaha,
 mas mesmo assim eu estava decidida a ter uma, não importa o quão ridículo fique, EU VOU TER FRANJA, pedi pra minha mãe, que em seguida sorriu da minha cara, e disse: “ você não precisa de franja minha filha’’. Como ela não deixou, eu resolvi cortar sem permissão mesmo, de madrugada peguei a tesoura juntamente com um pente fino, separei metade do cabelo, isso mesmo que você ouviu METADE, e comecei a enrolar com o pente até ficar com um comprimento pelo menos parecido com franja, talvez eu fiz isso só para testar como eu iria ficar,NEGATIVO, eu fiz isso pra novamente comprovar que sou retardada, quando o pente estava quase na raiz do cabelo, eu tentei tirar, tentei, mas não consegui, passei alguns minutos até que tirei a breve conclusão, vai dar ruim. Acordei meu irmão mais novo, para tentar solucionar o caso que provavelmente não teria um final feliz, depois de muito tentar, resolvemos acordar nossos pais, a reação deles foi inacreditável, era uma mistura de gargalhadas com uma imensa vontade de me dar umas palmadas, o resultado? Eu finalmente tive minha franjinha, no toco da raiz.
Para abaixar o volume, eu colocava quase um pote de creme ( Casulão *-* que amo hj ) tudo só na raiz, de 2 e 2 minutos eu ia no banheiro, ou em qualquer lugar que tivesse torneira, e encharcava de água , e saia aquela coisa linda de se ver.
Alguns anos mais tarde descobrir os maravilhosos procedimentos que prometiam fazer milagre, que me deixaria “linda”, aceitável. Eu usei tudo, selagem, progressiva, alisamento definitivo, e outras macumbas que a química nos oferece. Por 5 anos fiquei nessa dependência, meu cabelo nos primeiros anos era o mais desejável, as pessoas me chamavam de índia, cabelo abaixo da cintura, pretinho, e escorrido. Finalmente recebia elogios nessa bagaça. Mas eu ainda não estava satisfeita, eu tinha os traços da negritude, boca carnuda, nariz achatado, pele escura, eu tinha que parecer branca, as brancas é que são lindas!
Nas minhas fotos, fazia questão de esconder meu nariz, minha boca? Encolhia para parecer menor. Daí eu descobrir um corte lindo ( até hoje eu gosto) se chama Scene, até que ficou legal, todos me elogiavam, mas não era eu.
    Depois de um certo tempo, meu cabelo começou a cair devido as macumbas que eu passava, fiquei com medo, resolvi parar, nesse período tinha medo até de coloração, durante 7 meses fiquei em uma transição inconsciente. Comecei a olhar aquela raiz interessante, para mim foi uma descoberta, afinal 5 anos não são 5 dias, e olhando um certo dia na internet conheci o tal movimento, o movimento que iria me ajudar, que iria me mudar para sempre: 
CACHEADAS EM TRANSIÇÃO.

Não foi fácil, fiquei 1 ano e 3 meses esperando minhas origens voltarem, para eu voltar a ser a Mirian, nesse período, pensei varias vezes em desistir, chorei, ganhei inúmeras criticas, chorei, pediram para retocar a raiz, chorei de novo, mas eu estava decidida. VENCI.
No dia 4 de agosto de 2015 finalmente me libertei, gritei liberdade ou morra na química .
E mais uma vez fui ridicularizada, pediram para eu abaixar meu volume, me perguntaram se eu
Estava sem pente em casa, poucas pessoas me elogiam.
 Mas quer saber? Eu estou feliz, porque hoje, hoje eu sou EU MESMA, sou negra cacheada, e não sou inferior a ninguém.

SEJA VOCÊ, SEJA FELIZ, LIBERTE SE !







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